Sexta-feira, Janeiro 04, 2008
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miss, no making out in the library, please!
desculpe, seu moço. é que beijos em público não são crime no lugar de onde eu vim. é que lá na minha cidade demonstração de carinho alegra os transeuntes e traz a esperança de que um dia os sós tambem estarão acompanhados. mas eu entendo que na sua terra fria o meu discreto beijo na boca é por demais quente e ameaça derreter todo o gelo. me perdoe, isso não se repetirá. o seu alerta ecoará na minha cabeça e o constrangimento pelo qual me fez passar não me permitirá ser afetuosa em nenhuma outra biblioteca desta cidade.
posted by mi at 2:52 PM
Terça-feira, Dezembro 11, 2007
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e l p a s a d o
saí do cinema e o filme veio atrás de mim. não, minto: ele veio comigo. carregado. ou talvez ainda tenha saído do cinema e, ao sair, o filme era a vida real. talvez tenha me visto no filme, talvez o filme tenha se visto em mim. o certo é que na vida a gente se acumula de passados, mas quem serão permanentemente nossos presentes somos nós mesmos.
posted by mi at 9:47 PM
Quinta-feira, Dezembro 06, 2007
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as horas
meu relógio, 20 minutos atrasado, recusa-se em viver o momento presente, tal qual o homem saudosista que insiste em reviver os momentos gloriosos de 20 anos atrás.
posted by mi at 8:24 PM
Domingo, Novembro 25, 2007
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da saudade
sempre me atenho ao que é de maior importância. pode o tempo esgotar que, se ainda houver importância, vou lembrar, vou guardar, vai estar comigo. e quando a importância se perde, é tão rápido. tão pra sempre. pra mim tudo é tão pra sempre, sempre. gostar e desgostar é pra sempre. a mudança é pra sempre. a transitoriedade... pra sempre. e a minha cidade vai me escapando pelos dedos, os amigos, a mãe, os coqueiros, o cheiro do meu travesseiro, a água quente do mar da bahia, a coxinha de galinha, o açaí, o strogonoff, a brisa morna, o pôr do sol no farol, o cheiro de acarajé, o sorriso das amigas embaixo das mangueiras de são lázaro às 7 da manhã, os dias de calor, a familiaridade com os porteiros do prédio, os amigos de 8 anos, o português, a miséria, a melhor amiga morando a passos de distância,
descobrir onde fica a ladeira da preguiça, ter uma mãe que é uma garota do barbalho, os colos de tanta gente, o amigo dos cinemas, as amigas no estágio, as conversas psicológicas e psicologizantes, os rótulos psicanalíticos, a presença da mãe vendo tv enquanto estou no computador, o gosto do dendê, o frescor da água de coco, os amigos os amigos os amigos, cada canto do meu quarto, o mesmo quarto há 22 anos, o cheiro do meu quarto, o calor do meu quarto, as cores do meu quarto, o canto que é meu só, a vida que é só minha, minha cidade sem estações, uma possessividade só, uma saudade antes da hora, um desespero, um medo, uma vontade de chorar, o meu carro, fruta no café da manhã, ver a lua cheia da janela do quarto, tomar banho de mar na chuva, ver a lua no solar do unhão, as praias vizinhas, as cidades do interior, a família, a graça, a vitória, barra, ondina, rio vermelho, almoçar no manjericão, ir pro pelourinho, o shopping barra, a sensação de completa alienação ao andar pelas ruas do meu bairro, sentir que eu e o bairro somos uma coisa só, a prainha de ondina, ser assaltada na prainha de ondina, beijar no pôr-do-sol na prainha de ondina, o isba, a ufba, o acalanto, a escolinha da graça, a música brasileira, as novelas, os quitutes, o sebo anual da feirinha da fraternidade, o cemitério da ladeira da barra, o icba, o victória marina, a avenida sete, comer salada de fruta da cantina, reclamar da comida odiosa de são lázaro, fugir pra almoçar na poli e ver o vento fazer barulhinho bom com os bambus, sentir o cheiro da maconha em são lázaro, as filas da xerox, o engarrafamento na garibaldi, os pombos dançando em círculo em frente à prefeitura, busca vida, o ogodum, a barão de loreto, os cães de rua, o queijinho com orégano, joão do camarão, praia do porto à tarde, praia de jaguaribe, villas, praia do forte, imbassaí, shows de los hermanos na concha, passear no encontro as águas, andar sorrindo na estrada de são lázaro embaixo do sol quente, reuniões intermináveis de matérias, sair com os amigos pra não fazer nada, receber visitas inesperadas, ouvir pagode e os forrós mais toscos na rua, ouvir os chorinhos e os sambas bonitos, conversar com estranhos no ponto de ônibus, as conversas alheias, ver os prédios antigos da minha cidade,
e dizer que eu vou embora? o que vai embora é meu corpo. porque eu sou tudo isso aí. e essas coisas ficam. pra sempre.
posted by mi at 1:18 AM
Domingo, Outubro 14, 2007
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é engraçada a ilusão de profundidade e de imensidão de si. de onde surge a idéia de que temos um fundo ou uma superfície? como podemos ser profundos ou superficiais? me perco nas metáforas criadas pelas comunidades verbais. me perco na trama de acasos que complicam o nosso ser-no-mundo. me perco num abismo que nem sei onde fica. percebo que toda e qualquer palavra vai ser insuficiente pra explicar os sentires, seja lá onde ocorram, no dentro ou no fora.
tristezinha.
posted by mi at 11:12 PM
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poema para tua presença
este amor sem futuro
e ainda assim tão puro
sinto que em mim permanecerá
posto que profundeza não é possibilidade
e a impossibilidade pode se eternizar
a tua ausência é constante presença
que teima em mim se materializar
em meu canto, em minha mente, em meus sonhos
nos cheiros marinhos, na noite lunar
da tua presença tão ausente
resta o desejo de sempre estar
teu desejo por mim que nunca brotou
a ternura por ti que hei de afogar...
posted by mi at 11:05 PM
Quarta-feira, Julho 25, 2007
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me sacode às cinco da manhã
a rotina agora te faz levantar antes mesmo que o sol. meus olhos ainda grudados com a cola do sono ficam vagarosos e demoram a abrir. mas meu desejo de te ver é tanto que desobedeço a vontade ocular e abro minhas janelas de ver para poder enxergar o seu apressado arrumar-se. eu ainda tenho cheiro de cama e você já tão cheio de perfume, abotoando a camisa enquanto acaricio suas costas. tenho que guardar bem cada sensação para que dure até o fim do dia. então você entra pela porta e a saudade se afoga num abraço - bem-vindo de volta, vamos sair?, ficar?, o importante é que juntos e esquecidos do resto do mundo.
posted by mi at 9:20 PM
Terça-feira, Julho 10, 2007
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e de tanto amar
o amor, quando é muito, traz um problema: te desacostuma da tristeza. é tanta alegria, tanto e todo dia, que te faz esquecer de toda tristeza, grande ou pequena. o amor destrói a sua imunidade para as coisas ruins. faz crer que o mundo pode ser sempre assim tão bonito e que tudo vai dar muito sempre certo. um perigo, um problema de saúde pública, esse tal de amor.
posted by mi at 9:53 AM
Quarta-feira, Maio 02, 2007
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porque não é só o amor que impede a escrita mas também as tarefas. minha cabeça já não suporta tanta informação. os olhos se abrem pra informação entrar, a informação entra pela porta dos fundos e teima em não querer ficar. acha minha cabeça meio apertada, vai ver. informações de toda natureza aí habitam, e muitas delas nem processadas foram. meu cérebro está uma verdadeira casa de mãe joana... anda precisando de algumas faxinas.
posted by mi at 5:58 PM
Terça-feira, Abril 24, 2007
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tão estranho que a fertilidade no terreno amoroso devaste a produtividade no âmbito literário! suspiro. mas há que se fazer alguma força para fazer brotar simultaneamente em ambos terrenos. pois - amar menos? - isso não nem nunca.
posted by mi at 5:48 PM
Sexta-feira, Dezembro 15, 2006
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síntese
teus orifícios:
meus precipícios
posted by mi at 12:24 PM
Quinta-feira, Novembro 30, 2006
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and the dream of horses
havia o desejo que era como um bicho guardado dentro de si. apenas alguns homens eram capazes de ser a mão que abre a cancela. foi então que inesperadamente a cancela se abriu, e saíram não um, mas uns muitos desejos, nus, desvairados, gigantes como não podiam ser, posto que haviam sido criados em tão pequeno estábulo.
posted by mi at 4:04 PM
Sábado, Agosto 19, 2006
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o pouco que sobrou
achava que tudo havia acontecido precisamente da forma como deveria acontecer, e a vida estava boa porque nada mais lhe faltava. ou faltava? então percebeu que ele já não lhe fazia falta, mas a falta ainda havia - pois sentia saudade da saudade. saudade da vontade. saudade das palavras mais bonitas que brotavam em si quando sentia vontade dele. saudade do sentimento. porque ele podia ir embora, mas era covardia das grandes levar o sentimento dela consigo...
posted by mi at 4:42 PM
Sábado, Agosto 05, 2006
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porque narciso acha feio
o que não é espelho
posted by mi at 8:37 PM
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foram muitos dias de vida real, e a vida passou a ser tão real e tanta que eu estive fora e sumida e ausente. mas eu volto porque a vida é mesmo sempre ir e voltar. e agora que provei o que é real, quero que a virtualidade ocupe uma parte cada vez menorzinha nesse meu vidão!...
posted by mi at 1:02 PM
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